Soja: Estado pode assumir posição de país no ranking mundial

Diario de Cuiaba - Brasil 12/04/2012 | 14:21 (actualizado hace 889 días)

Apenas com incorporação de áreas de pastagem MT pode ser 3° maior...

Mato Grosso expandiu em cerca de 85% a área plantada de soja nos últimos dez anos e tem meios para aumentar, em pelo menos mais 38%, a superfície até o final desta década, utilizando apenas um ‘estoque’ de áreas de pastagem de baixa produtividade e que podem ser convertidas à sojicultura. O potencial de expansão e com o registro de evolução nas últimas safras, o Estado pode assumir a posição de terceiro maior produtor mundial de soja, atrás apenas dos Estados Unidos e Brasil e deixando a Argentina em quarto. “Em pouco mais de uma década, Mato Grosso, um gigante adormecido, poderá ter produção equivalente à de um país, aproveitando apenas áreas já disponíveis”, anuncia o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Fávaro.

Se atingir a cobertura de 9,75 milhões de hectares na safra 2021/22, Mato Grosso poderá ter uma produção de 32,8 milhões de toneladas, volume muito próximo à estimativa de 45 milhões para a Argentina nesta temporada. “Teremos 9,75 milhões de hectares e mais 5,1 milhões de pastagens que poderão ser convertidas. Por isso, temos potencial (e vontade) para superar a Argentina e nos aproximar muito da produção brasileira que está na casa de 60 milhões toneladas”, completa.

Em 2008, havia pouco mais de 9 milhões de hectares de pasto, que no decorrer das últimas foram sendo convertidos pelos produtores. Nesta safra (2011/12), o volume disponível caiu para 7,7 milhões de hectares e se a previsão para até 2022 se confirmar, Mato Grosso ainda terá de reserva outros 5,1 milhões de hectares à espera da demanda do mercado e de um pouco mais de calcário e adubos para dar lugar às lavouras, especialmente de soja e milho. A projeção foi apresentada ontem, na Aprosoja/MT, durante o lançamento da 7ª edição do Circuito Aprosoja. Os dados levam em consideração o momento atual, marcado pela forte demanda mundial por grãos e pelos bons preços às commodities, em especial à soja em pico de safra.

Na linha do tempo da sojicultura estadual, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) lembrou que na safra 2001/02 – há dez anos – a área plantada era de 3,82 milhões de hectares e passou a 7,7 milhões nesta temporada, o que gerou expansão de 85% no período. Para as próximas dez safras, o crescimento espacial manterá a lógica, com a região leste do Estado liderando o avanço. Conforme o Imea, o leste, que detém o maior ‘estoque’ de terras propícias à conversão, vai crescer 71%. A área plantada passará de 1,04 milhão de hectares nesta safra 2011/12 para 1,78 milhão em 2021/22.

A gerente de comercialização da Aprosoja/MT, Maria Amélia Tirloni, lembra que além de mercado (demanda e preços) Mato Grosso precisa de logística para avançar nessa proporção e dar suporte ao crescimento, “já que sem remuneração o produtor não arrisca”. O cenário à soja traz impactos ao milho, como frisa, “já que tradicionalmente a safrinha absorve 30% da área da soja e na medida em que a área plantada de soja cresce a do milho, também. Podemos ofertar apenas em segunda safra, tudo que o Paraná, por exemplo, produz em duas”. Esse impacto ao milho está sendo analisado pelo Imea.

Fora a expansão territorial, a produtividade do milho será influenciada pela qualidade das sementes que cada vez mais agregam tecnologias que facilitam o manejo da lavoura. “Variedades com resistência e tolerância à seca, por exemplo, ampliam a janela de plantio do milho, possibilitando semeadura além de fevereiro e com garantia de rendimento. Isso tudo faz diferença no saldo da produção”.

BALANÇO - Em relação à safra 2011/12 de soja, que já está praticamente encerrada, a área total cultivada foi de 7 milhões de hectares, um incremento de 14% em relação à safra passada. Mato Grosso deve colher este ano 21,3 milhões de toneladas de soja, números que são recorde para a séria histórica local. Para o próximo ciclo a expectativa é de que o Estado chegue a 7,4 milhões de hectares, utilizando áreas de pastagens, sem a abertura de novas áreas e somar produção de 23 milhões de toneladas.